
Aos 71 anos, Marina Lima chega ao seu 18º álbum de estúdio com Ópera Grunkie (2026), que agora ganha uma edição especial em vinil pelo NRC+.
Estruturado como uma ópera pop dividida em atos, o trabalho transforma vivências pessoais e experimentações musicais em uma narrativa que percorre o samba, o house, o reggaeton e o pop rock. Entre homenagens, novas parcerias e encontros entre diferentes gerações, o disco reafirma a liberdade criativa que acompanha a trajetória da cantora e compositora.
A seguir, Marina conta as histórias por trás de cada faixa, compartilhando referências, memórias e curiosidades sobre o processo de criação do álbum.
Abertura
"Partiu": “Abrir com esta música é a minha forma de encorajar as pessoas a partirem em busca do seu próprio destino. Com coragem, medo, alegria, esperança e doses de realidade. Com alguns samples de músicos e artistas que admiro, começo a faixa com uma homenagem à origem dos meus pais, aos asiáticos, aos ditados alemães e à graça dos ingleses.”
Primeiro ato
"Grief-stricken/Perda": “‘Grief-stricken’ (de Antonio Patriota) é o momento que escolhi para representar o meu choque diante da decisão de meu irmão Cicero de partir. Fui pega de surpresa e tomada pela dor. E por uma admiração ainda maior por ele. ‘Perda’ completa este ato. Com a poesia do Cicero dita pelo professor Fernando Muniz e pelos imortais da ABL, em cima de uma música instrumental do duo paraense Strobo, busquei dar uma dimensão emocionante e eterna à obra do meu irmão.”
"Meu Poeta": “É sobre nós dois. Uma declaração de amor ao Cicero, à nossa união, cumplicidade, leveza, ambição e alegria. Juntos.”
Segundo ato
"Um Dia na Vida": “Recebi do Giovanni Bizzotto e do Arthur Kunz a música pronta para colocar a letra. Vi que ali estava a oportunidade de ter a Ana Frango Elétrico comigo, compondo a letra e dando mais bossa ao que já soava irresistível.”
"Samba pra Diversidade": “É uma homenagem à diversidade do Brasil e, em particular, a realização de um desejo meu de fazer um samba bem lento, à la Dorival Caymmi, à la ‘Samba da Benção’. Sinto que me faltava um samba desses, e ainda com um coro cantando que é devagar que se chega longe.”
"Olívia": “Fazendo bike, me deparei com uma postagem no Instagram sobre uma macaca chamada Olívia. A tutora dela comentava que Olívia não podia ser contrariada porque começava a arrancar a roupa. Ri muito. Peguei este mote e comecei a compor. Chamei Renato Gonçalves e Arthur para criarmos o reggaeton e termos uma base pronta para pirar. Convidamos o ator e músico Pablo Moraes (que vem a ser o inventor da palavra ‘grunkie’) para criarmos os diálogos juntos, e Fabiana Kherlakian para temperar o molho. Aí vem Késsya Fernandes com a grande deixa. Deu no que deu.”
Terceiro ato
"Collab Grunkie": “Fiz uma chamada aberta online para que as pessoas enviassem sons ou ideias que pudessem soar interessantes para uma intervenção minha. Entre mais de 800 e-mails recebidos, escolhi a base do Eraldo Palmero para criar em cima. Resolvi fazer uma homenagem carinhosa aos grunkies e, a partir disso, chamei Laura Diaz para embelezar, sensualizar e abrasileirar a faixa. Renato e eu escolhemos os samples, e termino com um trecho de uma conversa minha no WhatsApp com Fernanda Montenegro, a maior de todas. A tribo dos grunkies é imensa.”
"Só Que Não": “Guardei esta canção para uma ocasião especial. A partir de acordes que Giovanni havia me enviado, acrescentei outros e fui trabalhando nela, orquestrando a intensidade musical que me instigava e enlouquecia. Chamei Adriana Calcanhotto para letrar comigo porque ela vem de uma linhagem parecida com a do Cicero: Adriana seria a única pessoa, além dele, que daria conta do que eu buscava. E o arranjo de cordas (sintetizadores) que o Edu Martins criou arrebatou tudo.”
"Chega Pra Mim": “Esta parceria com Marcio Tinoco tem alguns anos, é pouco conhecida, mas chegou a ser gravada por Leila Pinheiro. Sempre gostei muito da canção e intuí que Adriana Calcanhotto também iria curtir. Não deu outra. Adriana amou e foi uma emoção gravar com ela.”
Finale
"Brahma Chopin": “Assim como na abertura, este álbum termina com um tema instrumental meu, com viradas e toques do Arthur. Agradeço e proponho seguirmos viagem.”















