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Pedro Mizutani faz da própria inquietação uma nova bossa em primeiro disco


Por:

Ana Laura Pádua

Fotos: Divulgação

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Crescer nem sempre é uma experiência das mais tranquilas — Pedro Mizutani que o diga. Aos 25 anos, o cantor e compositor carioca reuniu suas inquietações e as transformou em NOVA BOSSA: aquele abraço aos ratos vivos (2026), um disco que fala sobre amadurecimento, relações pessoais e a dificuldade de encontrar seu lugar no mundo. No repertório, amor, solidão e conflitos pessoais convivem com a vontade de experimentar novos caminhos musicais.

“Quando era mais novo, algumas pessoas me apelidavam de rato morto. Eu já me sentia à margem daquelas dinâmicas sociais”, conta Pedro à Noize. Com o tempo, o músico deu outro significado à expressão. O rato morto virou rato vivo, símbolo de resistência para quem se sente deslocado, mas não deixa de buscar seu espaço.

“Conforme fui crescendo, comecei a entender que minhas dores e experiências não eram apenas individuais. Percebi que o rato vivo poderia representar algo muito maior do que a minha própria história.”

Essa percepção atravessa as 11 faixas do disco, compostas entre 2019 e 2025. “Queria que esse álbum fosse uma espécie de afago para essa galera, para os meus semelhantes. É quase um diário do meu crescimento, dedicado a essas pessoas.”

A relação com a música, porém, começou bem antes. Na adolescência, ao aprender a tocar violão, Pedro encontrou nela uma forma de escapar do cotidiano. “Foi quando ela se tornou uma espécie de universo paralelo à minha realidade, um lugar de escape.”

Compartilhando covers e composições na internet, Pedro chamou a atenção do selo francês Nice Guys Records, pelo qual lançou Pensando Baixo (2024) e Mostrando os Dentes (2025), ambos em parceria com o produtor britânico Skinshape. Desde então, passou por turnês europeias, fez shows esgotados em Portugal e recebeu até uma menção de Bad Bunny nas redes sociais.

Outras bossas

Conhecido inicialmente por suas interpretações de bossa nova, Pedro não quis ficar restrito à sonoridade que ajudou a apresentar seu trabalho ao público. Em NOVA BOSSA: aquele abraço aos ratos vivos, produzido pelo próprio artista ao lado de Guilherme Lírio e Paulo Emmery, a MPB se mistura ao indie rock e ao lo-fi pop, em canções em tom confessional.

Violões e guitarras dividem espaço com sintetizadores, texturas digitais e uma produção que não busca necessariamente um som polido. “Queria fazer algo novo, que tensionasse um pouco essa relação entre o analógico e o digital. Queria usar sintetizadores, explorar texturas digitais e fazer uma mixagem com mais sujeira, mais noise.”

Ao transformar experiências tão particulares em música, Pedro encontrou uma maneira de se conectar com quem também tenta descobrir seu lugar no mundo. Afinal, os ratos vivos não estão tão sozinhos assim. 

Nesta sexta-feira, 6 de novembro, o cantor apresenta o repertório na Casa Natura Musical, em São Paulo, dividindo o palco com o músico Alan Bernardes.

Frequências: Pedro Mizutani + Alan Bernardes

Data: 06/11 (sexta-feira)

Local: Casa Natura Musical

Horários: abertura da Casa: 19h30

Shows: a partir das 21h

Por:

Ana Laura Pádua

Fotos: Divulgação

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